Mundo
Guerra no Médio Oriente
Teerão exige que Berlim "esclareça o papel" da base americana de Ramstein
Numa carta enviada ao Ministério alemão dos Negócios Estrangeiros, o Irão exige esclarecimentos sobre o papel da base militar norte-americana de Ramstein, localizada na Alemanha, na guerra do Médio Oriente, afirmando que "não é oficialmente claro".
A notícia foi avançada pelo embaixador iraniano em Berlim, Majid Nili, à agência France Presse esta quinta-feira, que afirma que o papel da base americana de Ramstein no conflito “não é oficialmente claro”.
Segundo o embaixador, a utilização da base poderia violar a Resolução 3314 da ONU, que define como "agressão" qualquer ação de um Estado que permita que o seu território seja utilizado por outro Estado para perpetrar agressões contra um terceiro Estado.
"Não sabemos se Ramstein se enquadra nesta definição ou não", acrescentou o embaixador, que disse ainda não ter recebido uma resposta do Ministério.
"Se alguém quiser utilizar indevidamente as bases americanas, não teremos outra opção senão defender-nos", explicou o embaixador Nili.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da AFP.
No entanto, o ministro alemão da Defesa, Boris Pistorius, já tinha declarado que "não via atualmente razões para duvidar da legalidade da utilização de Ramstein pelos EUA" no contexto da ofensiva contra o Irão.
Por outro lado, um membro do seu partido, o Social-Democrata, manifestou dúvidas sobre a autorização incondicional concedida por Berlim para a utilização da base americana, que é regida pelo Acordo de Paris de 1954 e pelos acordos da NATO.
O embaixador Nili exortou Berlim e outros Estados europeus a “dizerem aos agressores para pararem”, lembrando que o prolongamento do conflito “seria também um problema para a Europa”, citando “consequência económicas, uma crise de refugiados, terrorismo e desagregação regional”.
Qual o papel da base de Reimstein?
Localizada perto da fronteira francesa, no sudoeste da Alemanha, Ramstein é a maior base militar dos EUA na Europa e um importante centro logístico de abastecimento e reabastecimento das Forças Armadas dos EUA. A base militar começou por ser um aeródromo usado por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial e que o exército dos EUA capturou pouco antes do fim do conflito, em 1945.
Embora a Alemanha reitere que não faz parte do conflito no Irão, a base aérea de Ramstein desempenha um papel central na coordenação dos ataques de drones e mísseis americanos no Médio Oriente, uma vez que as ligações de dados e os retransmissores de satélite necessários para controlar os drones no Médio Oriente passam pela base.
Ao contrário de outros países europeus, como Espanha, que fechou temporariamente as suas bases militares a Washington, a Alemanha permitiu que os EUA "aterrassem em determinadas áreas" da base aérea.
Em 2025, dois cidadãos iemenitas, que perderam familiares num ataque aéreo norte-americano com drones, em 2012, foram a tribunal questionar o papel da base aérea de Ramstein. Na altura, o Tribunal Constitucional Federal decidiu que a Alemanha não é obrigada a tomar medidas contra os ataques de drones norte-americanos no Iémen, mesmo que estes sejam tecnicamente apoiados pela Base Aérea de Ramstein.
Segundo o embaixador, a utilização da base poderia violar a Resolução 3314 da ONU, que define como "agressão" qualquer ação de um Estado que permita que o seu território seja utilizado por outro Estado para perpetrar agressões contra um terceiro Estado.
"Não sabemos se Ramstein se enquadra nesta definição ou não", acrescentou o embaixador, que disse ainda não ter recebido uma resposta do Ministério.
"Se alguém quiser utilizar indevidamente as bases americanas, não teremos outra opção senão defender-nos", explicou o embaixador Nili.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da AFP.
No entanto, o ministro alemão da Defesa, Boris Pistorius, já tinha declarado que "não via atualmente razões para duvidar da legalidade da utilização de Ramstein pelos EUA" no contexto da ofensiva contra o Irão.
Por outro lado, um membro do seu partido, o Social-Democrata, manifestou dúvidas sobre a autorização incondicional concedida por Berlim para a utilização da base americana, que é regida pelo Acordo de Paris de 1954 e pelos acordos da NATO.
O embaixador Nili exortou Berlim e outros Estados europeus a “dizerem aos agressores para pararem”, lembrando que o prolongamento do conflito “seria também um problema para a Europa”, citando “consequência económicas, uma crise de refugiados, terrorismo e desagregação regional”.
Qual o papel da base de Reimstein?
Localizada perto da fronteira francesa, no sudoeste da Alemanha, Ramstein é a maior base militar dos EUA na Europa e um importante centro logístico de abastecimento e reabastecimento das Forças Armadas dos EUA. A base militar começou por ser um aeródromo usado por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial e que o exército dos EUA capturou pouco antes do fim do conflito, em 1945.
Embora a Alemanha reitere que não faz parte do conflito no Irão, a base aérea de Ramstein desempenha um papel central na coordenação dos ataques de drones e mísseis americanos no Médio Oriente, uma vez que as ligações de dados e os retransmissores de satélite necessários para controlar os drones no Médio Oriente passam pela base.
Ao contrário de outros países europeus, como Espanha, que fechou temporariamente as suas bases militares a Washington, a Alemanha permitiu que os EUA "aterrassem em determinadas áreas" da base aérea.
Em 2025, dois cidadãos iemenitas, que perderam familiares num ataque aéreo norte-americano com drones, em 2012, foram a tribunal questionar o papel da base aérea de Ramstein. Na altura, o Tribunal Constitucional Federal decidiu que a Alemanha não é obrigada a tomar medidas contra os ataques de drones norte-americanos no Iémen, mesmo que estes sejam tecnicamente apoiados pela Base Aérea de Ramstein.
c/agências